Sparrow no iPhone: Testamos ele!

Finalmente, depois de 2 meses, saiu o app Sparrow para iPhone! O app, herdou diversas recursos da versão para OS X em uma interface intuitiva e elegante, característica marcante dos caras. Mas não se engane, o Sparrow não é apenas uma carinha bonita, o app traz recursos inéditos em um cliente de email para iOS, inclusive, recursos que nem o próprio Mail da Apple tem.

Vamos ao review!

Configuração

O app é compatível com vários serviços populares de email, como Gmail, iCloud e Yahoo, e para nossos testes, usamos uma conta do Google Apps, o excelente pacote de serviços de colaboração para empresas do Google, o qual usamos diariamente na MBE.

Para começar, o primeiro passo é digitar seu nome, email e senha. E é isso, não tem segundo passo, sua conta está configurada!

As telas seguintes apresentam um guia de como usar os gestos para navegação na interface. Se você conhece o belíssimo Path e usa Facebook, vai se adaptar com facilidade.

Falando no Facebook, é possível usar sua conta na rede social para automaticamente preencher as fotos dos seus contatos.

O app permite múltiplas contas de email e oferece opções de configuração de assinatura e até mesmo suporte ao Priority Inbox.

Design e interface

Esse é definitivamente o ponto alto do app. A navegação é intuitiva e a interface é dividida em 3 partes: a lista de contas, lista de pastas/labels e a lista de mensagens agrupadas em conversas.

Não é possível a criação, edição e exclusão das pastas, como o Mail da Apple. Talvez num próximo update.

Na lista de mensagens, ainda é possível visualizar de forma rápida somente as mensagens não lidas, as mensagens prioritárias e as marcadas com estrela, o que facilita bastante a vidas daqueles que recebem dezenas de mensagens por dia.

O menu de ações possíveis em uma mensagem, como responder, encaminhar, arquivar e etc, pode ser acessado diretamente com um deslizar de dedo da direita para a esquerda, tal qual no Twitter. Por mais que isso facilite, eliminando uma etapa para acessar o menu, o gesto pode inicialmente confundir os usuários do Mail do iOS, que usam esse gesto para excluir mensagens individualmente. É questão de se adaptar.

Recursos

Infelizmente o Sparrow não possui push notifications, devido a restrições impostas pela Apple no uso das APIs do iOS. Em outras palavras, para o push funcionar, o pessoal da (empresa) Sparrow teria que hospedar seu próprio servidor de notificações e manter armazenados logins e senhas dos usuários. Eles deixam bem claro aqui, que essa não é uma opção… Enfim, ou a Apple muda de idéia sobre a restrição, ou talvez o Sparrow jamais tenha push notifications…

Outro recurso bem legal é a possibilidade de anexar uma ou mais fotos diretamente da Library.

Conclusão

O tão aguardado Sparrow é um app extremamente promissor, com interface e usabilidade excelentes, mas ainda devendo em alguns quesitos, que talvez sejam fundamentais para heavy users. A ausência de push, suporte a S/MIME e até mesmo uso de serviços de email via ActiveSync, pode nesse primeiro momento, deixar o Sparrow como um cliente de email para um nicho específico de usuários.

Talvez alguns desses recursos jamais possam ser levados ao Sparrow, devido a natureza do iOS, mas sem dúvida nenhuma a Apple deve estar bem atenta as demais inovações trazidas pelo app. Inclusive, isso parece que já ocorreu em outro caso bem semelhante

Lion review: Apple Mail 5.0

Semana passada coloquei aqui no blog a minha lista das coisas que gostei e não gostei no Lion. Encabeçando meu top 5 está o Apple Mail, versão 5.0.

Considero-me um heavy user de email e, desde 2000, venho buscando o cliente de email definitivo para Mac. Já usei desde o Outlook Express 5 até o Outlook 2011, passando pelo Entourage, Postbox, Mailplane, Thunderbird e Sparrow. Alguns apenas testei por um tempo, outros usei intensamente, mas nunca achei o aplicativo definitivo.

Verdade seja dita, o Sparrow, chegou muito próximo de ser o escolhido, mas a ausência de alguns recursos básicos, o tiraram da briga, pelo menos por agora.

Configurações

Abrindo o Mail pela primeira vez surge um wizard que irá guiá-lo na configuração da sua conta de email. No meu caso, meu email pessoal é Gmail e as contas da MBE são Google Apps. Em ambos os casos o Mail fez a configuração corretamente dos servidores IMAP e SMTP, sendo apenas necessários alguns ajustes finos, como IMAP Path Prefix que deve ser [Gmail], e o devido mapeamento das pastas Drafts, Sent, Junk e Trash. Feito isso, começou o processo de baixar/sincronizar minhas mensagens. Por padrão o Mail baixa todas as mensagens e seus respectivos anexos, mas esse comportamento pode ser alterado na aba Advanced dos Preferences. Nesse aspecto, o Thunderbird é bem mais flexível, uma vez que esse comportamento pode ser definido para cada pasta remota, ou labels, no caso do Gmail.

Assinaturas ainda não podem ser no formato HTML, mas essa dica providencial, ainda funciona perfeitamente no novo Mail!

Design

A interface é de muito bom gosto, lembrando bastante o Sparrow. Os ícones seguem a linha do Lion, todos muito sóbrios, em tom cinza e com as barras de scroll invisíveis.


Finalmente agora é possível ter o layout de visualização de mensagens em 2 colunas, o que faz todo sentido com displays widescreen. Esse layout pode ser otimizado, ocultando a lista de mailboxes que fica do lado esquerdo, mantendo apenas a lista de mensagens e o painel de leitura, bem ao estilo do Mail no iPad. Na parte superior, está a barra de favoritos, semelhante ao Safari. Nela é possível manter os atalhos das pastas, mailboxes e Smart Mailboxes mais usados. O legal desses atalhos é que os itens não lidos são informados entre parênteses ao lado de cada um deles.


Um detalhe que me incomodou foi a impossibilidade de mudar a cor das mensagens não lidas. Como meus inboxes são bem lotados, fica complicado bater o olho e separar mensagens lidas das não lidas, pois a diferença entre elas é bem sutil, somente uma bolinha azul ao lado da mensagem. A única solução que encontrei foi criar Smart Mailboxes com regras para agrupar apenas mensagens não lidas de cada um dos meus inboxes. Adicionei os atalhos na barra de favoritos e tudo resolvido!

Seguindo com as novidades, agora é possível usar o Quick Look, não só nos anexos das mensagens, mas também em links HTML para pré-visualizar sites.


A organização das mensagens também recebeu melhorias herdadas do Mail do iPad. O Conversations, agrupa mensagens relacionadas em ordem cronológica e ainda elimina partes redundantes de textos, de forma bastante eficiente, mantendo a conversa fluida e de fácil entendimento.


Em suma, a nova interface é sobre simplicidade, elegância e facilidade de acesso aos itens mais frequentes, resultando em maior produtividade.

Performance

Minha referência mais atual de performance é o Thunderbird 5, meu último cliente de email e, comparado à ele, o Mail se comporta com enorme desenvoltura. Operações triviais como abrir e fechar a aplicação, ocorrem em poucos segundos e o processo de sincronização das minhas 4 contas IMAP flui com grande agilidade. Inclusive, retornando do sleep no meu MacBook Pro, a sincronização se dá imediatamente, fato raro na época do Thunderbird…

Comparando com o Entourage 2008, que usei por muito tempo e com o Outlook 2011, que só usei por pouquíssimos dias, a performance do Mail é anos luz superior.

Em compensação, armazenamento das mensagens no HD não é nem um pouco otimizado. Como todas elas e seus respectivos anexos são baixados localmente, o tamanho da pasta onde são armazenadas as mensagens e o banco de dados, localizada em ~/Library/Mail/, tende a crescer rapidamente. A minha já passa de 16GB!

Apesar do espaço usado, fica a impressão de que o novo Mail é robusto ao lidar com um grande volume de dados, afinal minhas contas de email somam mais de 58.000 mensagens! Nossa… Nem eu esperava isso…

Busca

Comparar a ferramenta de busca do Mail com os demais, chega a ser covardia… A velocidade dos resultados é espantosa e a integração nativa ao Spotlight, transforma a experiência de busca num processo ágil e extremamente eficiente.

O uso de combinações de tokens com diversos critérios e palavras-chave, facilitam o processo de busca e praticamente acham qualquer mensagem perdida entre diversas pastas em poucos segundos.

Plugins

Durante as primeiras horas de uso, 2 limitações me irritaram bastante, mas por sorte puderam ser contornadas com o uso de plugins. A primeira era a ausência de uma notificação no estilo Growl, para avisar sobre a chegada de novas mensagens. A solução foi o Herald, que supriu com louvor a missão! Além de gratuito, ele é extremamente customizável, possibilitando mudar sua aparência e até mesmo os mailboxes que devem ser monitoradas para chegada de mensagens.

A outra limitação foi a impossibilidade de determinar um delay no tempo em que uma mensagem deve ser marcada como lida. O Mail Act-On, faz exatamente isso e muito mais!


No momento, o número de plugins ainda é reduzido, pois os desenvolvedores ainda estão atualizando as versões anteriores para o novo Mail. Nesse meio tempo vale a pena ficar de olho aqui.

Bugs

Dizer que o Mail é perfeito é exagero, até mesmo porque, o próprio Lion (ainda) não é. Durante as últimas semanas, alguns pequenos bugs vem ocorrendo, mas nada que inviabilize o uso. Além dos bugs, sinto falta de alguns recursos básicos também.

Vez ou outra, a interface congela por alguns poucos segundos durante o envio/recebimento de mensagens. O congelamento é bem perceptível no momento em que se digita uma mensagem e o cursor fica parado piscando sem aparecer o texto. Poucos segundos depois o texto aparece de uma só vez. Ainda tenho dúvidas se o bug é do Mail ou se é causado pelo Herald durante a exibição das notificações.

A opção de manter as mensagens não lidas com texto em negrito não funciona na visualização em 2 colunas.

O recurso Archive não funciona da forma que deveria em conjunto com o Gmail. Ao invés de “remover” a mensagem arquivada do Inbox, deixando-a só com o label All Mail, ele cria uma novo label chamado Archive.

O filtro anti-spam também se comporta de maneira errática com o Gmail. Se uma mensagem cai no junk remoto do Gmail e você tenta marcá-la como não junk, ele ignora o comando e não move a mensagem para o inbox. O processo tem que ser feito manualmente. Não raramente, mensagens marcadas como não spam permanecem com sua cor em tom marrom.

Fora isso, ocorreram uns 2 ou 3 unexpectedly quits e algumas vezes parece que as senhas armazenadas no Keychain são “esquecidas”. Nesse último caso, bastou ignorar o aviso e tudo voltou ao normal.

Conclusão

O Mail 5.0, tem-se mostrado um excelente cliente de email, com interface, recursos e performance finalmente à altura do que todos esperavam da Apple.

A possibilidade de uso de plugins e a provável correção desses pequenos bugs num próximo update, tendem a tornar o Mail, pela primeira vez na história, o cliente de email preferido no OS X.